20 de março de 2007

Gelo...Doce.


Foram anos pensando que aquela doçura era a coisa mais amável do mundo.
A mais adorada.
Os anos até lhe convenceram que aquilo de fato era verdade.
Uma doçura, uma generosidade...
Mas foi uma vez, quando lhe disseram que as vezes os doces lhes enjoavam, e lhes davam sede, foi que ele reparou que de fato a sede existia.
E mais, só conseguia saciá-la com gelo. Muito gelo.
Foi então que lhe passou pela cabeça que muitas pessoas que lhe eram freqüentes na vida não gostavam de doce, mas em compensação lhes agradavam a sensação de gelo na boca.
Era engraçado para ele entender que nem todos gostavam de doce.
Mas PORQUE não gostavam do sabor duradouro e marcante do doce e gostavam do sabor e da refrescância passageira do gelo?
Foi então que lhe ocorreu uma idéia genial.
Já que percebeu que muitas pessoas não gostavam do sabor marcante e perseguidor dos doces, passou a tentar agradar à aqueles que preferiam a refrescância passageira do gelo.
Mas o comportamento daqueles que simpatizavam com aquele prazer fugaz do gelo não lhe era confidente.
Então ele percebeu que não poderia mais tentar fingir que lhe agradava o sabor fugaz do gelo se lhe era tão irresistível o sabor marcante dos doces.

Ass: Pedro Gazzinelli de Barros.

2 comentários:

Lira Turrer disse...

Os devoradores de gelo, coitados, mal conhecem a suavidade agradável que deixa o doce quando sua intensidade se vai.

P.S Este texto renderia uma boa análise semiótica!

Anônimo disse...

Encantada com tanta beleza expressada em palavras profundas,admiro essa facilidade de escrever,talvez por eu escrever também.
Esse poema nos deixa em dúvida,o que melhor é... a maior ducura de um sorriso persistente,ou a rapidez da refrescância de um beijo?
um amor doce,ou uma paixão repentina?
eis aqui a incógnita!
Um grande beijo
Yasmin