9 de outubro de 2008

Oscilação de Alma


Rapidamente eu corro para aquele abraço de mãos frias que eu não conheço mais.
Minha alma, meu silêncio, de quem não se percebe mais através do espelho.
De quem não se conhece mais através dos outros.
Aquelas mãos frias que fingem gostar de me acariciar para me arrancar de tudo que eu valorizo e amo na vida, quer me comprar gentilmente.
Rapidamente eu me contento em não te amar, mas basta meu momento de lucidez para que eu pare de respirar imediatamente sem sua presença.
Fugazmente eu não sei mais dizer tudo que já disse um dia, hoje minha voz embarga, meus lábios tremem e ficam vermelhos de raiva.
Não sei mais te dizer tudo que já senti um dia, uma vez que não sinto mais nada daquilo.
Hoje sinto o vazio, e esse vazio está me consumindo por dentro.
Hoje não sinto mais nada, e estou apelando para que o mundo interprete o meu silêncio.

Ass: Pedro Gazinelli

4 comentários:

Diogo disse...

Esse texto fico muito lindo, e como sempre eu dei uma viajada aqui......... Cara os personagens do texto estão mortos!!!!!!!!Essa era a intenção, ou eu viajjei demais?!?

Pedro Gazzinelli disse...

Um dos cineastas mais inovadores dos últimos tempos, o David Lynch,
quando questionado sobre possíveis interpretações dos seus filmes, sempre muito bizarros, responde:
Quem sou eu para limitar as interpretações dos expectadores. Eu sei o que aquilo significa pra mim, mas não posso limitar o que significa para as outras pessoas.

Se para você elas estão mortas quem sou eu para dizer que sim, ou que não, e limitar a interpretação de outra pessoa. Viajar nunca é demais.

JoSé GUarÁ disse...

Hoje não sinto mais nada, e estou apelando para que o mundo interprete o meu silêncio.
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Outro dia andava tão em mim e a flor da pele que uma colega de profissão, limitada somente a "ois" e "até logos", disse assim: -Isso passa!
Silêncio grita!
Fantástico...

Poesia de Graça disse...

Olá pessoal, estava procurando por poesias existencialistas e esbarrei com o de vocês e estou acompanhando. Não concordo com tudo que vocês dizem (escrevem), mas gosto da poesia existencialista porque ela é despretenciosa ao mesmo tempo que quer comunicarm mas o que me fascina mesmo na poesia existencialista são dois pontos: a liberdade de forma e conhecer a crise humana. Sou pastor e acho que tenho vivido algumas crises existenciais as quais encontrei alento nos ensinos da Bíblia, portanto aí vai uma das minhas poesia que considero existencialista:

P.s.: para quem se consideram existencialistas você são bem educados, quero dizer repondem aos comentáris com atenção.
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Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo (Romanos 8.22,23).


A LUTA DE UM HOMEM COM UMA ALMA
(TÉDIO)

Há dias que a alma enfastia.
Tudo principia com um gosto sem gosto.
Dia sem Fim alma fica meio assim assim.

Alma marota!
Em dias assim quer mesmo é um dengo pra si.

Alma, o que come?
Queria fazer-te um prato gostoso.
Mas ela não diz.
Fica assim que nem que nem
Menino trombudo tinhoso amargoso.

Alma, sossega!
Parece menino...
Fuxicando, mexendo, caindo em pranto.
Melenta no canto, andando, catucando
Procurado por quê?

Alma, alma menina peralta!
Paciência saiu mas não tarda chegar.
Se te pega tão alta te toma no rei.
Alma, alma depois não diga que não avisei.

...

O que que me deu?
Meu Deus... Meu Deus!


Autoria: Luiz Flor dos Santos, pastor na cidade de São Gonçalo do Amarante, Ceará na Igreja Batista Fundamentalista Cristo é Vida.
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www.pulpito.blog.terra.com.br
www.poesiadegraca.blogspot.com