18 de julho de 2007

Escada



Retorno da festa.
No entanto você nem me olhou.
Fingiu não notar minha perna suavemente encostada na sua quando me sentava ao seu lado, tentando criar um clima inexistente de romance.
Flertou daquela maneira irresistível com outros na minha frente, mas nem se dirigiu o olhar a minha reles posição de ébrio.
Evitou me dar respostas simples para perguntas simples que envolvem assuntos complexos.
Definitivamente, com toda minha pretensão de inteligência arcaica, que enxerga e estereotipa a inteligência como o avesso da esportividade, você não me deixa brecha para que eu lhe demonstre toda a baboseira inútil que eu sei.
Os seus pensamentos simples me desconcertam com uma sutileza capaz de fazer com que no mais alto do meu salto alto de arrogância eu me despenque e fique minúsculo diante de uma simplicidade tão espetacular e bucólica.
Me dê apenas uma sobra, faça o ator escada apenas uma vez, para que eu lhe fale algo, ao invés de me derrubar sempre com essa simplicidade que esmaga a minha inteligência inútil.

Ass: Pedro Gazzinelli

2 comentários:

Regies Celso disse...

Vou retribuir o comentário!
Como eu sei da história, achei mais interessante ainda.
Cheio de referências e "intertextualidades"
bom!
abração!!

Lira Turrer disse...

Muuuuito bom! Inspirado, hein?
Adorei!
beijocas