21 de janeiro de 2010

Trabalho de Sísifo



Sei que quando acabar não terá como perceber que tudo que passara tinha a pretensão de se tornar melhor.
Tudo que não se cobra, não deixa de ser menos importante àquilo que se cobra.
Como poeira jogada ao vento que se desfaz e some, assim são idéias que não são enterradas.
Por tudo que almejo e luto, preciso de ao menos enxergar a esperança no fundo dos olhos de uma criança: Que cresça, que sonhe, que idealize e que não morra de overdose. Trabalho de Sísifo.
Entenderia talvez, a velha desculpa de não ter grana para correr atrás, entretanto é impossível entender, compreender, a falta de vontade de correr atrás, se conformar com o mal estar. Soluço de medo.
Pode se nadar contra a maré, e vencer, basta focalizar e querer, o mais difícil, querer, que palavra é esta que nos faz andar de marcha ré ou o contrário também é verdadeiro.
Busco sim esperança com escritas nada a ver, palavras que circulam em sua cabeça sem você ao menos entender.
Com lampejos de alegria me enraízo na minha fé, na certeza que um dia um ou outro irá perceber que pode sim, e deve, fazer a diferença.

Ass: Diogo Coelho

6 de janeiro de 2010

Antigo



Ah meu relógio, não me obedece nenhuma vez, que mal eu fiz, que tempo é esse que não passa quando eu quero.
Quem me dera poder pedir para voltar, alguns minutos que sejam, 3 horas já seriam suficientes, bastasse eu ouvir sua voz naquele telefonema.
Medisse que seria bom o bastante voltar, retroagir, viver de novo, quem não gostaria de retornar aquele primeiro beijo da sua princesa? Aquela tarde ensolarada, aquela caminhada serena pela areia, sozinho, você e as ondas do mar.
Pudera eu voltar enquanto Shakespere escrevia Romeu e Julieta, o nome não seria o mesmo, provavelmente algo do tipo, Eu e Você.
O relógio que gira o mundo não é meu, e voltar ao passado não é possível, o único jeito é retornar à memória, que seria dos homens sem lembranças do passado, as ruins jogadas na fogueira, somente relembrando os momentos que retiraram nosso fôlego.
Ah como eu gostaria de mais um fim de semana com você agora.
O passado eu não entendo, mas ainda bem que existe o futuro, relembrar o passado e tentar te fazer sorrir mais do que todas as vezes que você sorriu, em um dia, um segundo.
Eu não entendo, mas não preciso mesmo entender, somente me basta viver, com você, não tenho controle no antigo, mas quero fazer vários futuros se tornarem passado, porque assim tenho a certeza que sempre irei sonhar com você, afinal, você será meu eterno passado, já que nós temos infinitos futuros.

Ass: Diogo

17 de dezembro de 2009

Depois



Me despeço mais uma vez, com tudo adquirido e muito tentado passar.
Em dias me lamentei, em outros chorei, em buscas perdi, em perdas achei.
Mais uma vez pude contar e brincar de contar, dia após dia vi o que queria falar.
Me despeço, até quem sabe, o dia que retornará, as palavras não se cansam de delinear.
Até quem sabe eu parar de gritar, deixarei sufocar, viverei pra sondar, buscarei me completar, sim, a escrita poderá mudar.
Até quem sabe o mundo acabar, o ano começar ou a inspiração sublimar. Até quem sabe o poeta voltar, o livro desenhar, imagine então quando as palavras se “juntar”, aí sim, quem sabe, poderei voltar.
Em dias pude cantar, em outros contar, quase nu, pude me mostrar. Brinquei de atuar, atuei de brincar, escrevi meu pensar, pensei em trovar.
Mais uma vez me despeço, de mim, de você, mais uma vez me repito.


Ass. Diogo Coelho

14 de dezembro de 2009

Até


Oi! Sou eu, aquele que te fez feliz, que te fez sorrir, que te fez chorar.
Aquele que tomou Brahma às 4h.
Aquele que te amou, aquele que te odiou, aquele que te xingou e te mandou flores.
Oi, sou eu, aquele que não te esquece, mas não te conhece.
Oi, você passou rápido, aonde vai?
Oi, nesse você passou rápido ou passou devagar? A cada dia mudo de opinião sobre você.
Agora você quase não está mais aqui. Agora você quase me mata de angústia.

Tchau.

Até, 2009.
Até 2010.

Ass: Pedro Gazzinelli de Barros.

2 de dezembro de 2009

Segredo



Tento agora escrever uma obra prima, lapidando palavras e exprimindo sentimentos, tudo para que um dia o eterno esteja fixado em uma folha de papel.
Sinto que o tempo passa e quando penso onde estou, vejo que estou vivendo no futuro, pensando no passado e passando o presente, não posso mais ser assim, porém tão cansado e com dores pelo corpo todo, me sinto bem vivo para saber que dói, dói muito saber que eu sempre serei um pensamento na cabeça idealista de alguém, e não verdade.
É verdade que às vezes mentem sobre como você deve ser, ou melhor atuar, mais uma vez, tão cansado de ser levado por correntes verbais que te jogam de um lado para o outro que só fará você permanecer do lado mais sofista, lado este que é fruto de entendimento real, e não fruto de pensamentos surreais e as vezes até mentirosos.
Tão cansado de escrever, tão cansado de querer, sopro até explodir, tentando mover o moinho que deixou de rodar por causa da falta de saliva de um beijo que de dilúvio passou a ser seco.
Ó, parece que estou afogando devagar, ó, tudo parece melhor quando começo a me afastar, já sinto tanto frio, já sinto tanto medo.

Ass: Diogo Coelho

6 de novembro de 2009

Despedida II


Desejo parar de falar.

Me sinto sempre cansado de minha voz, meus trejeitos, minhas gírias.
Hoje quem sou?

HOje sou Pedro Gazzinelli de Barros? Hoje serei...Regies Celso?
Hoje incorporarei meu lado amigo, meu lado outro, meu lado ao meu lado.

Quem sou eu?
Sei que agora, o dia já se foi.
Mais um dia sou eu fingindo ser alguem que não me canse como eu mesmo.
Hoje sou advogado, hoje sou jornalista.
Hoje sou intelectual, hoje sou poeta, amanhã sou outro alguem que não se lixa pra nenhum estado.
Hoje sou amante, sou aquele que não tem problemas.
Hoje sou feliz, e meu jeito de ser feliz. Amanhã não sei.
Hoje quero falar do hoje, como em "hoje", como sempre.
Amanhã amei de novo.
Amanhã
Amanhã serei outro.

Ass: Pedro Gazzinelli de Barros

21 de outubro de 2009

Espelho


No mar a ressaca do dia seguinte, vivendo em uma cena de sonho, busco lutar por cada passo, reconstruindo a velha sombra que me acompanha onde vou.
Sempre a frente do cronômetro, voando mais alto do que possamos imaginar e alcançando a vitória que deixou de lado nossa amizade e me permitiu a primeira derrota, perdi por ter perdido minha vitória.
Recorro sempre ao meu eu, “euxternalizando” meu ego. Preciso acreditar que o lado bom está evidente, minha cabeça dói por outro lado.
Aqui estou eu de novo, milhas e milhas distante, mas me diga, estou longe de você?
Só me resta dançar no palco da minha memória, entenda, é difícil.
Eu sinto minha falta, enquanto isso os ponteiros não param de girar.
Tento entender o que não é ser feliz enquanto o vento sopra em minha janela.
Se eu ver meu reflexo numa montanha coberta de neve, onde o topo me mostra o limite da minha passagem pelos oceanos de lágrimas choradas por debaixo dos cobertores que uso para me esconder da ternura de um sorriso, conseguirei lembrar que meus pensamentos em epígrafe só servem na verdade para me livrar dos cacos que me tornei quando deixei de sonhar.
Estando congelado como começar a colher o algodão que encontro no caminho de uma jornada, até agora impecável, para juntar vontades subjetivas como aquela de repousar em cima das nuvens, longe de casa, perto do nada, guiado apenas pela ausência de qualquer coisa que bate dentro de mim.
Sem perceber me programo a lazeres dinâmicos enquanto empalo aquele prazer a muito escondido.
Vem e mostra o que foi coberto pelas nuvens, vem e que chova lagrimas do meu rosto para que possa clarear meu céu, quero aprender a ver claramente novamente.
Ser ou não ser deixa de ser a questão.

Ass: Diogo