6 de novembro de 2009

Despedida II


Desejo parar de falar.

Me sinto sempre cansado de minha voz, meus trejeitos, minhas gírias.
Hoje quem sou?

HOje sou Pedro Gazzinelli de Barros? Hoje serei...Regies Celso?
Hoje incorporarei meu lado amigo, meu lado outro, meu lado ao meu lado.

Quem sou eu?
Sei que agora, o dia já se foi.
Mais um dia sou eu fingindo ser alguem que não me canse como eu mesmo.
Hoje sou advogado, hoje sou jornalista.
Hoje sou intelectual, hoje sou poeta, amanhã sou outro alguem que não se lixa pra nenhum estado.
Hoje sou amante, sou aquele que não tem problemas.
Hoje sou feliz, e meu jeito de ser feliz. Amanhã não sei.
Hoje quero falar do hoje, como em "hoje", como sempre.
Amanhã amei de novo.
Amanhã
Amanhã serei outro.

Ass: Pedro Gazzinelli de Barros

21 de outubro de 2009

Espelho


No mar a ressaca do dia seguinte, vivendo em uma cena de sonho, busco lutar por cada passo, reconstruindo a velha sombra que me acompanha onde vou.
Sempre a frente do cronômetro, voando mais alto do que possamos imaginar e alcançando a vitória que deixou de lado nossa amizade e me permitiu a primeira derrota, perdi por ter perdido minha vitória.
Recorro sempre ao meu eu, “euxternalizando” meu ego. Preciso acreditar que o lado bom está evidente, minha cabeça dói por outro lado.
Aqui estou eu de novo, milhas e milhas distante, mas me diga, estou longe de você?
Só me resta dançar no palco da minha memória, entenda, é difícil.
Eu sinto minha falta, enquanto isso os ponteiros não param de girar.
Tento entender o que não é ser feliz enquanto o vento sopra em minha janela.
Se eu ver meu reflexo numa montanha coberta de neve, onde o topo me mostra o limite da minha passagem pelos oceanos de lágrimas choradas por debaixo dos cobertores que uso para me esconder da ternura de um sorriso, conseguirei lembrar que meus pensamentos em epígrafe só servem na verdade para me livrar dos cacos que me tornei quando deixei de sonhar.
Estando congelado como começar a colher o algodão que encontro no caminho de uma jornada, até agora impecável, para juntar vontades subjetivas como aquela de repousar em cima das nuvens, longe de casa, perto do nada, guiado apenas pela ausência de qualquer coisa que bate dentro de mim.
Sem perceber me programo a lazeres dinâmicos enquanto empalo aquele prazer a muito escondido.
Vem e mostra o que foi coberto pelas nuvens, vem e que chova lagrimas do meu rosto para que possa clarear meu céu, quero aprender a ver claramente novamente.
Ser ou não ser deixa de ser a questão.

Ass: Diogo

2 de outubro de 2009

Me



As falhas olham para mim.
A brisa, que de brisa é brisa, não bate em mim.
Me despeço de você, querido amigo, agora voo em um sonho maior.
Me despeço de você, meu grande amor, hoje não tenho mais forças.
Meu grande amigo, hoje, no meu imaginário, você só vive e escreve.
Me despeço de você, minha paixão, escrita, falada, minhas paixões são ímpares.
Me despeço de você, meu grande ego, alter-ego, meu grande adeus.
Me despeço de você, meu incentivador, falho em algumas horas, mas fundamental para mim.
Me despeço de todos, hoje, sou outro, hoje sou poeta, sou outro, hoje não sou poeta, sou boêmio, hoje sou você, sou eu.
Hoje, quem sabe, não sou alguem conhecido, hoje tenho velhos e novos amigos.
Hoje eu vou não ir.

Ass: Pedro Gazzinelli

30 de setembro de 2009

Sorrir



Quero sorrir, viver, sonhar, quero brincar e escorregar minha mão pelos seus cabelos.
Quero enxugar suas lágrimas e te dar as minhas, guarde com cuidado, são só suas.
Pelo caminho mais belo imaginei nós dois, andando e sendo um, mão sobre mão.
Não me afaste agora, você não vai conseguir, estou cimentado a você, se eu me afastar quem vai cuidar de você? Confio só em mim, porque sei o que quero com você.
Quantas vezes me sinto sozinho, procurando sem nem saber o que, na verdade eu sei, você.
Sempre procurei você.
Achei, não te largo, nem se você me pedir por favor.
Mesmo tão longe, tão perto, nos momentos de solidão me abraço ao meu coração e tento esquentar sua face sempre evidente lá, pulsa amor pelas minhas veias, pulsa seu nome pelo meu interior, pulsa alegria ao falar com você, de você, pulsa carinho ao te tocar.
Divagar por caminhos saborosos, aromas suaves, sentar ao seu lado enquanto fico entorpecido pelo seu cheiro, seu beijo e seu carinho por mim.
Quero a torta de pão da sua mãe, isso sim prova que você me ama, a da minha é tão ruim!
Cada gesto seu me faz ver que você é resposta de oração. Você me faz feliz, você me fazer querer mais você, você me faz corar, você me faz sentir nojo, cada palavra feia do seu vocabulário médico. Amo. Não as palavras claro, mas amo sentir nojo, porque até sentir nojo com você é bom. Isso é amor. Simplesmente amo amar você.

Ass: Diogo Coelho

16 de setembro de 2009

Semtido


Sem ter tido vi meu melhor sorriso desabrochar, sem ter visto senti meu coração pulsar.
Sem ter tido sonhei por sonhar, sem ter sido fui um fantasma a passar.
Sem ter crido desandei em pensar, sem sentido cansei de murmurar.
Sem sentido comecei a andar, sem meu fôlego um balão a voar.
Sem meu rumo começo a pensar, sem meu tido começo a chorar.
Sem promessas me ponho a caçar, te olho nos olhos por onde começar?
Sem medida luto em alcançar, sem minha cura poesias ao ar.
Sem o sol arco íris para brincar, sem anzol o que vou pescar?
Sem lençol vivo a deitar, descalço me ponho a cavar.
Sem formol um cheiro a agüentar, sem minhas rimas um cristal a buscar.
Sem ter tido a luneta estelar, sem ter visto a chuva me molhar.
Sem caminho me pus a orar, sem palavras uma historia a contar.
Sem ter tido tive momentos inexplicáveis, sentimentos inesquecíveis, circunstancias arrebatadoras.

Ass: Diogo

15 de setembro de 2009

Despedida


Não sou mais quem eu era antes.
Não quero mais antes.
Quero mais agora.
Não tenho mais a inspiração de antes
Agora, eu sou a inspiração
Agora, não sei mais por onde começar nem por onde terminar
Agora, não quero receber mensagens alegres que me coloquem pra cima, não quero receber mensagens enaltecendo algo que não sou.
Não quero receber mensagens que dêem a falsa impressão de como estou.
Já estou aqui em cima e quero puxar todos para cima comigo
Agora não sou mais o poeta de antes, de agora e de depois
Agora, eu sou mais eu, pois minha felicidade mora comigo.
Agora sou mais eu sem nada
Agora não há mais inspiração.
Agora há realidade, e na realidade não espaço para poesia ou palavras bonitas. Na realidade não espaço para versos, choros e tristezas.
Agora, na minha realidade, preciso de mim mais do que nunca, e não de ninguém mais.
Agora, tenho que ser mais feliz do que nunca, pois só assim minha realidade será completa.
Na realidade não há espaço para o poeta.
O poeta não escreve mais.
A sua inspiração tem que ser transformada em realidade.

Ass: Pedro Gazzinelli de Barros.

31 de agosto de 2009

Oração


Não posso correr, não posso fugir, sempre que vejo lá estão seus braços me envolvendo, com um aperto de conforto e segurança que nunca achei possível que existisse.
Vivo em busca de um lugar seguro para sentir seu amor e vejo que só debaixo de suas asas encontro a brisa suave que me faz relaxar.
Eu não quero sair daqui, mas sei que quando eu estiver em queda livre os Teus braços irão se entrelaçar em mim e Você me dirá: Espere, onde você está indo?
Em Teus átrios pude sentir o refrigério que durante muito tempo estive a procura e sei que o Senhor cuida de mim, os Seus olhos estão em todos o lugares.
Em espírito e em verdade posso viver pra Ti, Te adorar durante a tempestade, porque é ali que nosso amor se faz prova a Você, no olho do furacão.
Quando eu estiver sem força pra falar, seja minha voz, quando eu estiver sem força para me lembrar, traga a tona os meus tombos, ai sim verei que a Tua alegria é a minha força, e Você não só me levantou, me fez novo.
Mesmo que às vezes pareça difícil.
Mesmo que todos vão contra.
Mesmo que o choro dure a noite inteira.
Mesmo que o sonho pareça distante.
Vem e edifica em mim uma morada.
Tua morada.
Posso tentar escrever o quanto te amo, posso tentar falar o quanto te quero, mas me faltam palavras, nem olhos viram nem ouvidos ouviram o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.
Obrigado por um dia ter me escolhido.
Obrigado por um dia ter me chamado de filho do Senhor, filho do Rei.
Mesmo eu não sendo merecedor, hoje e pra sempre Lhe direi:
A Ti toda honra e toda glória.

Ass: Diogo Coelho