19 de setembro de 2008

Eles


Hoje a vida pára para que eu passe observando-a com meu olhar cético de nojo por todos eles.
Eles, aqueles que não entendem, que não fazem e que cagam para tudo.
Eles, que entram na minha casa sem minha permissão, e me enganam generosamente com seu roubo escancarado de cara-de-pau, quando eu, perplexo pela sagacidade, fico atônico e não digo nada.
Hoje eles vêm com caras lavadas me dar papel, mas eu não quero papel, não quero nada, já que eu me julgo melhor do que eles.
Hoje a vida deve parar para que eles nos enganem novamente, e eu, conscientemente, gosto de ser enganado, e me divirto vendo a reclamação alheia da falta de moral que impomos a nós mesmos.
Eles agora têm certificado dado por nós para nos enganar, por isso eu relaxo e aproveito para que me enganem de forma mais convincente.
Hoje nada foi provado, e quer saber? Hoje serei enganado com gosto, pois agora não quero ver a vida parar para que eles me iludam.
Eles que me aguardem, uma vez que me enganaram, e agora, irei enganar eles com imensa propriedade.
Eles que me agradem, pois assim ficarei mais cego.

Ass: Pedro Gazzinelli e Regies Celso

2 de setembro de 2008

Pensamentos de um louco



O porque de tanta pergunta em vão? Tô cansado de explicar minha ótica retardada e ímpar para todos, sou assim, penso assim, ajo assim, enfim, vivo assim!!!! Chega.
Vivi, aprendi, fui sendo moldado, das pancadas da vida até o mais complexo livro de física quântica. Pronto, foi eu que fiz tudo sozinho, e o sozinho como dizem deixa as pessoas loucas.
Sempre escuto que o que eu penso é nada a ver, será que o que penso é viajado demais? Ou será que apenas tenho uma percepção diferente e molestada da dos outros?
De alucinações intelectuais vivo minha vida, bem manso, traçando a próxima coisa nada a ver que vai fazer você ficar chocado.
Quantos porquês tive que perguntar para ser indagado com o porque de alguém! Foi árduo o trabalho, cansativo, enfiei a cara nos livros enquanto você se embriagava de vodka cara na casa de qualquer um.
Serei considerado intelectual por ser um pseudo-gênio? Difícil entender o que eu escrevi agora? É só você se esforça que vai.
Por fim, quem sabe na próxima primavera serei deixado com os meus pensamentos de louco.
Porque?
Não me pergunte agora, um dia volto e te explico isso!

Ass: Diogo Coelho

28 de agosto de 2008

Cinema



Só por hoje preciso me levantar e deixar o prazer mórbido de dormir passar.
Só por hoje acendo meu cigarro e tento não me jogar nos jogos da vida.
Só por hoje tentarei ser aquela pessoa mais carinhosa que você sempre desejou.
Só por hoje tentarei ser o ator perfeito com o sorriso colgate no rosto.
Só por hoje te perguntarei como eu devo tentar não ser eu.
Só por hoje ficarei cansado de te esperar e partirei sozinho.
Só por hoje não irei reclamar de seu café.
Só por hoje arrumei a cama ao sair.
Ontem fui obrigado a te ouvir.
Ontem fui obrigado a aprender.
Ontem era mais eu e menos Hollywood.
Ontem era original.
Calei, escutei e sofri.
Vivenciei.
Aprendi.
Será que amanha poderei voltar a ser eu?
Será que amanha nosso cinema vai evoluir?
Será que amanha devo atuar como?
Original?
Igual atuei hoje?
Ou ser o mesmo de ontem?
Vamos esperar!

Ass: Diogo Coelho

26 de agosto de 2008

Ad Te


Deixo que as palavras saiam.
Rolam, como minhas lembranças divinas de tudo.
O Poeta não sonha mais.
Caem, como folhas, sem sentido, não formam mais nada, e, no entanto, a inspiração hoje é feliz.
O Poeta não sonha mais.
Leve, soltas, as emoções não sofrem mais, hoje elas são vivas e intensas, sem ardor, pesar, angústia ou deslumbramento.
Lindas, agora são, não mais meras elucidações, e sim, plenas e fortes, como os beijos, carícias.
O Poeta não sonha mais, hoje esse sonho é vivo, e reflete em seus olhos, em seus toques, e falas.
Risadas, não mais ensaiadas para a conquista, e sim, espontâneas para a admiração.
Toques, agora não mais com pesar e disfarces.
Lágrimas não mais de falta, e sim felizes, de saudades.
Cartas não mais pretensiosas, e sim despretensiosas como um simples sorriso ou gesto.

O Poeta não chora mais.
A sua inspiração é sua realidade.


Ass: Pedro Gazzinelli

6 de agosto de 2008

Coluna 08


Vamos falar a mais pura verdade.
A menina americana, inglesa, tanto faz, foi esquartejada pelo namorado maluco de loló, que guardou seu tronco (lembra daquela música “Cabeça, ombro, joelho e pé!!” ? pois então, tronco é tudo o que essa música não abordou) numa mala e jogou no rio.
A pergunta é? E Alexandre Nardoni? Quem?????
Existe um velho ditado que reza que amor antigo se cura com um novo, ou como disse Rita Lee: Doença de amor, só cura com outro...
Pois essa é a questão! Estamos carentes de um novo amor, mas nós agimos um pouco diferente. Esquecemos o amor antigo antes de um novo. A inglesa ainda não emplacou, pois lhe faltaram alguns quesitos para estar na boca do Willian Bonner durante um mês, mas nós já nos esquecemos de Isabela.
A inglesa não é melhor que Isabela. É até pior. Isabela foi arremessada e morreu.
A dinamarquesa, inglesa quer dizer, foi morta, esquartejada e jogada num rio. Lembra da Inconfidência Mineira? Tiradentes esquartejado? Pois então, nesse nível.
Trocando em miúdos, vamos logo pro que interessa: A menina era inglesa, o que em si, não tende a gerar empatia com o povão quanto uma pobre criança brasileira como Isabela e João Hélio. Pra completar tinha uma cara de doidinha e namorava um traficante chamado Mohamedd, o que não é o modelo perfeito de vítima indefesa.
O Brasil precisa de algum assassinato mais brutal, com alguém mais puro e humilde para podermos discutir tomando coca-cola no bar ( já que cerveja, só pegando um táxi ). Nós precisamos de um novo assunto, já que Nardoni, Ronaldo Gordo e Fora Dunga! Já não comovem como antigamente.
Nós precisamos de algo para falar com aquele semi-desconhecido que encontramos no banco ao lado do ônibus.
Com seu vizinho que também espera o elevador.
Volte Nardoni! Mate alguma outra criancinha, para que saiamos da nossa falta de assunto!
Ganhe as Olimpíadas Dunga! Para podermos novamente ter uma esperança e discutir o seu futuro na seleção!
Vai jogar no Flamengo Ronaldo! Para podermos discutir se você ainda faz algo com os pés além de coloca-los em pantufas Dior.
Do contrário é melhor começar a chover todos os dias, para podermos usar aquela velha saída:
Vai chover hein?

Ass: Regies Celso

Nostalgia



Tudo começa de novo, as mesmas pessoas, os mesmo rostos, os mesmo amores e os mesmos ódios, mais uma sessão nostalgia que irá na pior das hipóteses demorar longos seis meses.
Tenho minha ótica realista pessimista sobre a verdade que me cerca, vil, egoísta, realidade própria da natureza humana.
Um mundo sujo, mais parecido com o ar poluído e esfumaçado de Pequin, que cega, corrói e faz muito mal para a saúde.
O sonho de fazer as coisas direito começa a dar errado, claro, a lei da selva é o que impera nesse ambiente, o mais forte comendo o mais fraco, a saída sempre foi ser forte e se fingir de fraco, porém esperto para não ser comido.
Sentado no meu lugar vejo um monte de políticos de calça jeans tentando parecer com seus pais e cultuando um pensamento pop para não fazer feio para os outros.
Porém faço direito e como um habilidoso artista saio pela tangente e continuo fora desse intelecto de novela Teen.
Escuto uma música antiga no meu radio, os velhos do gueto, Hendrix, Dylan acalmam meu coraçäo, esqueço.
Tudo de novo, a sessäo nostalgia recomeça.
Aquecido por uma magia.
Levanto, lavo o meu rosto e saio.


Ass. Diogo

20 de julho de 2008

A noite



Tenho medo do escuro ao mesmo tempo que o contemplo. Meus fantasmas saem a noite, procuram me assombrar.
Tenho que achar a luz, tenho que iluminar o meu porão...
...A luz acabou.
Impera a escuridão.
Ando por aí, sem rumo, um desconhecido que fica invisível.
Vejo uma fogueira na casa ao lado, cantos assombrosos entoados por pessoas que nunca vi.
Me aproximo, tento criar coragem e afastar a atmosfera fantasmagórica que invade aquele quintal.
Me sinto isolado, sozinho. Tento entender o que esta acontecendo ali dentro, mas a luz da fogueira não é suficiente para me dar um entendimento certo.
Sinto medo.
Arrepio.
Como nunca percebi aquilo antes? Sempre estivera ai, não é a primeira vez que isso ocorre. As vezes é no escuro que enxergamos o que esta bem na frente de nossos nariz.
“Quando não se vê com muita clareza toda ação se torna naturalmente confusa.” Pode parecer um absurdo mas precisei do escuro pra entender realmente o que acontecia ali, não só entender, mas também enxergar.
Começo o caminho de volta para minha casa, andando pela rua escura, tento clarear meus pensamentos, e então percebo o que realmente aconteceu naquela casa ao lado.
As luzes voltaram.
Tudo normal outra vez.
A fogueira apagada, e a quietude prevalece naquele quintal outra vez.
Entro em casa, deito na cama e vou dormi com a certeza de que a lição foi aprendida.
Boa noite.

Ass: Diogo Coelho