6 de abril de 2009

3 pombos



Hoje andando por aí me deparei com pombos, e logo fui remetido àquela imagem linda de amizade.
Pombo nunca voa sozinho, pombo nunca está sozinho, pombo sempre enfrenta a tempestade com outros pombos.
Sorri ao lembrar dos que me cercam, chorei ao lembrar que eles não me cercam mais, a tempestade chegou, e eu comecei a voar sozinho.
Sempre tentei ser fiel, sempre tentei me aproximar de todos, sempre consegui, porém hoje eu não tenho mais a vodka que me fazia distribuir caretas e fazer peripécias.
Começo a me guiar pelo sol, sempre iluminado nunca me deixa cabisbaixo, sigo as estradas, sozinho, me guio pelas placas.
Querendo receber mensagens busco sempre orientação na Tua voz, me diga por que fui deixado para trás somente porque resolvi mudar de vida?
Queria saber voar, queria poder voar e aprender com os pombos
Os pombos tem uma única parceira durante a vida toda.
Os pombos podem ouvir freqüência de ultra som e ver espectros infra vermelhos e ultra violeta.
Os pombos são mais super heróis do que eu.
E eu?
Ninguém acredita em mim.
Fui deixado por não fazer o que você considerava legal.
Sem vodka, continuo tentando, um dia irei voar com vocês.
3 pombos.

Ass: Diogo Coelho

2 de abril de 2009

Descartes



Com tudo que tenho visto não consigo sossegar, guerras e pesadelos, me vendo por detrás de uma manta sagrada deitado no jardim do Éden a procura dos meus sofismas.
Canto silencioso de um ser em estado sólido, inerte e enraizado no chão frio de mármore que atravanca seu tornozelo firme à superfície gelada daquele chão.
Um coração em estado de putrefação precisa ser resgatado daquele calabouço em que, sozinho, não encontra a razão para sorrir.
Sempre em busca de uma relação harmoniosa espero agir da maneira mais agradável a ti, de forma a me torna mais faminto e sedento de você.
A história de nossos caminhos cruzados foi cortada de minha mente, e por necessidade, me apresento diante da neblina que envolve sua face e te peço perdão.
Eu te busco, te procuro e te encontro no silencio mais profundo que existe.
Com uma mordaça na boca tento gritar, com minhas veias pulsando pescoço a fora, um sufocamento surreal, te questionei com um pensamento hiperbólico de um ser humano.
O selo mortal foi colado na minha testa, orgulho dos homens, obra de quem não tem. Obra de Deus.

Ass: Diogo Coelho

Barbearia



Com a cara suja, barba por fazer, parece que vim do gueto do universo.
Estou consciente de que ando perdido, uma alma perdida sem direção caminhando para seu fim.
Minha história não pode terminar assim, perdoe os erros da minha mocidade, perdoe as fraquezas do meu corpo.
Você conhece todas, você sabe que sou somente um rosto humano procurando um lugar para fazer a barba.
Vem hoje e habita em mim, me mostra o que é viver o infinito, sempre ao seu lado, faça a ronda ao meu redor, me proteja de todos os leões que querem me devorar.
Me lembre sempre que eu sou humano, que sou falho e que preciso do seu amor renovado todos os dias, como se fosse a primeira vez.
Vem, faz um encontro em mim, tudo tem seu propósito, para cada pergunta existe uma resposta, e que eu ache a
resposta, e que eu ache a resposta que eu sou para a pergunta que eu desconheço ainda.
Me mostre minha proposta, me mostre o caminho estreito, vem e habita em mim.
Limpe meu rosto, me deixe ver de novo quem eu já fui um dia.

Ass: Diogo Coelho

11 de março de 2009

Mochileiro



Tijolo por tijolo eu continuo construindo minha prisão, linda e bela com meu ar condicionador no máximo, estourando, congelando minha fortaleza da solidão.
Queria subir na laje e soltar minha ultima pipa colorida, queria só avisar a quem estiver vendo que eu continuo a mesma criança de sempre. Boba.
Um grito que já não pode ser ouvido explode na minha boca, volta, um silêncio depois da tempestade me faz agredir a realidade, não dá sem você!
Meus vícios já não me livram e chegou a hora de eu encarar o que eu tenho mais medo, meu coração.
Paro para pensar nas fábulas em que o dragão espera ansiosamente para o encontro com o herói, o que fazer se eu for o dragão e o herói ao mesmo tempo?
Me rastejo contra a lua, brigo com o sol, soco o vento, tudo para poder sentir seu perfume adocicado que invade o meu ser.
O que será que faz a terra girar?
Queria ter o anéis de saturno, as águas da terra e a felicidade que um beija flor me levou.
Mil poesias me calem agora e sejam minha sombra de tranparência.
Que um milhão de anos passem antes de você conseguir me calar.
“Sonhei que o fogo gelou, sonhei que a neve fervia, e eu sabia que o sonho era bom, por que ela sorria, até quando chuvia.”
Uma década perdida, como não acabar o que comecei de construir?
Dia após dia de novo, me diga baby, qual o significado disso tudo?
Toda essa politicagem, sobre a vida e a morte, é a minha existência.
Ser.
Tudo que tentamos falhou, o frio da Meca nos provou, nós sabemos que acabou.
Seja igual você.
Nós seguimos igual todo mundo, a Meca da insegurança.
Seja igual você.
Não deixe que os perdedores te digam o que fazer.
Seja igual você.
Não tem ninguém que faça como você faz.
Ó me diga porque isto tudo está acontecendo?
Ó me diga se devo acreditar em tudo?
...

Ass: Diogo Coelho

9 de março de 2009

Lulla



Parem tudo.
De pensar, trabalhar, até de respirar.
Em toda minha vida de acompanhante da política brasileira venho sendo forçado a acreditar em tudo, em todas as alianças, conchavos, joguinhos, em tudo. Tudo.
Quase tudo. Na minha concepção, apenas uma hipótese nunca iria acontecer. Lula, querendo ou não, maior figura política do país, jamais chegaria perto da sombra daquele que, enfim, delle. Elle.
A máquina locomotiva trem bala, PMDB, no entanto, através do “saudoso” Renan Calheiros, realizou a façanha. Tudo bem, não estou falando de um recondução delle para o Palácio do Planalto, mas Lula jamais conduziria ele para lugar nenhum, nem uma caroninha para a padaria.
Isso no imaginário dotado de bom senso. Não na realidade dos caciques da política brasileira. Elle na presidência da Comissão de Infraestrutura do Senado não é um simples absurdo político, como o que Lula realizou na semana passada ao beijar a mão de Jader Barbalho, sim, Jader Barbalho. Elle em qualquer lugar diferente do ostracismo em que esteve nos últimos 17 anos é inaceitável, ou melhor, é algo que palavras não podem nem expressar.
Apertar a mão de Jader, ficar a favor de Severino, Dirceu, Palocci, nós entendemos tudo. Nós entendemos tudo, e não falo isso com uma ótica de “eu avisei”. Falo isso sobre a ótica de um, digamos, petista. Falo isso sobre a ótica de um que engorda a aprovação de 80% do barbudão.
Que o Brasileiro tenha memória curta eu entendo.
Mas não nesse caso. Uma geração inteira pode desconhecer elle, mas essa história não pode se desfazer com o tempo.
Lula reconduzir Collor a qualquer lugar é um evento que merece uma foto para a posterioridade. Uma foto para pensarmos:

-Chavez ainda irá jantar com a familia Bush.

É algo que nos enche de esperança, pois a partir de agora estamos livres para podermos pensar que sim, tudo é possível.
Divagar sobre o porque dessa manobra, é, em suma, algo até desnecessário. A figura máximada política brasileira não tem seu sucessor, e para emplacá-lo, vale, agora, tudo. Valle tudo.
Se vamos, ou não, “deixa-lo só” é uma incógnita. Mas seu simples ressurgimento merece, mais que nunca, uma grande frase:
“Tu quoque, Brutus, fili mi!”


Ass: Regies Celso

25 de fevereiro de 2009

Metade



O sereno sempre fiel aos meus sentimentos, a vida sempre jogando comigo.
Sempre buscando a quietude, o deixe estar, o me deixa quieto.
Calado na escuridão de um quarto só quero tentar entender porque as coisas são como são.
Porque não é simples ver tudo?
Porque temos que lutar para tentar entender?
Será que meu destino é com você?
Será que meu futuro é você?
Ou será que perpetuarei minha essência sozinho?
As vezes precisamos olhar para trás e descobrir o que nos fez ser o que somos hoje, se realmente as escolhas que tomamos foram as certas.
Me sinto um eclipse, metade luz, metade escuridão.
Me sinto podre, mas ao mesmo tempo me sinto bem.
Uma alma usada voltando para casa, cansada e sozinha.
Por você eu enfrentaria anjos e demônios, meu anjos e demônios.
O que eu vou fazer num mundo sem você?
Porque tem que ser assim? Eu sou o único errado?
As vezes é tão difícil, na maioria dos dias eu choro.
Eu sinto minha dor, a dor que vem de dentro, é só minha, e ninguém pode me roubar.
Todas as memórias remanescentes envolvem meus pensamentos, a dor que eu escondo.
É tão difícil, é tão difícil.
Meu sorriso já não faz mais efeito, minha roupa da moda já não cola mais.
É somente um sonho?
Me diga porque, porque as pessoas fogem?
Um lençol furado no varal é o que eu sou.
Um homem incompleto é o que eu sou.
Não sou nada, não sou ninguém.
“Porque diante de tantos Eus que eu podia nascer eu nasci Eu e não nasci você?”
Afinal, quem sou eu?

Ass: Diogo Coelho

20 de fevereiro de 2009

Só nosso



Aquele sentimento de vazio foi completado por inteiro, antes eu era metade cheio, hoje sou cheio por inteiro.
Te disse que bastava sonhar, um sonho que podia se tornar nossas vidas, um sonho que conseguimos fazer ser nosso, só nosso, e o melhor, sonhamos juntos.
A gente faz amor por telepatia, basta fechar os olhos para saber que o outro existe, basta fechar os olhos para relembrar aquelas horas douradas, basta fechar os olhos para saber que foi pra sempre.
O calor do seu corpo me fez sentir vivo novamente, o calor do seu corpo me esquentou, o calor do seu corpo me fez perceber que só você será capaz de descongelar o que eu já havia esquecido que existia, meu coração.
“Se os Anjos fossem homens, eles não poderiam voar.
Se os pássaros tivessem almas eles brilhariam pra sempre.
Se as pessoas pudessem amar, então mais de nós estariam vivos.”
Porque só por hoje você não faz do meu peito sua cama?
Faça só por hoje meu corpo como abrigo nos dias de tempestades.
Eu não quero chorar mais, eu não quero ser mais o impostor.
Oh minha alma, será que algum dia você vai me deixar ir?
Meu amor é como uma tatuagem no orgulho, para sempre.
Tinha medo de que você soubesse que eu era fraco.
Tive medo dos outros rirem de mim.
Hoje tenho medo por que não sei se sou forte o suficiente para te ter.
Hoje tenho medo de não existir ninguém para rir do nosso casamento de mentirinha.
Eu preciso de você até o fim.
Aqui estamos nós, vivendo um ao outro!
Por que dançamos tristes?
Porque sorrimos tristes?
Porque nos abraçamos como se fosse a última vez?
Não pode ver que eu preciso de você?
Você parece um anjo, um anjo sem asas, meu anjo.
Sempre te procuro no meio da multidão.
E no final me sinto vazio, você nunca está lá, é sempre difícil entrelaçar nossos dedos.
Não chore essa noite, não deixe nosso futuro te assustar mais do que me assusta.
Não deixe nosso passado te assombrar, mais do que me assombra.
Meu bem, você me dá água na boca.
Aqui estamos nós, vivendo um ao outro!
Por que dançamos tristes?
Porque sorrimos tristes?
Porque nos abraçamos como se fosse a última vez?
Não pode ver que eu preciso de você?
Preciso de você até o final.

Ass: Diogo Coelho