3 de março de 2008

Sei


Fale-me de seus problemas que eu te ouço.
Me fale que você não consegue fazer o que quer porque se sente culpada.
Me fale que você só erra porque morre de medo de acertar.
Conte-me de todos os seus dias vazios com lembranças de um milhão de bocas.
Me conte que você é capaz de tudo para ser cada vez mais infeliz pois tem medo da felicidade.
Me diga agora que você está sempre cercada de muitas pessoas que são apenas sorrisos porque quando você se deita, nenhuma dessas seria capaz de ouvir seus choros com um olhar compreensivo.
Me lembre hoje que você faz todos olharem para você para que todos percebam que você não precisa de nenhuma deles.
Me conte de todos os seus erros.
Me conte dos seus medos e angústias.
Me leve pro seu mundo imperfeito e vazio.
Me busque na minha solidão para que eu me junte a sua.
Me tire do meu mundo sincero e me leve pro seu mundo.
Me conte tudo isso.
Fale comigo de todos os seus problemas e medos.
Com um olhar compreensivo ouvirei tudo aquilo que já sei.
Hoje é o dia que eu, em todo meu ceticismo amoroso cúmplice de minhas empreitadas faltosas, olho para trás e agradeço as minhas lembranças cheias de (pleonasmo) lembranças.
Nenhuma lembrança ruim irá me assombrar nesse dia tão especial.
Hoje meu coração confuso de pedra sabão se apaixona por meus erros.
Me xingue por ser um grosso cheio de manias estranhas.
Me corrija se eu estiver sendo um idiota.
Me olhe nos olhos, se você conseguir fazer isso sem tampar os olhos com suas mãos delicadas ilusionistas.
Me ligue agora, pois eu quero o prazer de ouvir sua voz embargada de lágrimas.
Me deixe praticar todo meu sarcasmo em cima de seu rosto.
Me chame agora para seu mundo imperfeito e cheio de mágoas e problemas.
E Tchau!

Ass: Pedro Gazzinelli

29 de fevereiro de 2008

Diário III " ......... "




Não me julguem por meus pensamentos, melhor acabar com minha dor do que deixar minha dor acabar comigo.
Tudo que faço é pra poupar vocês dos meus sofrimentos, dos meus lamentos.
Desculpe.



Ass: .........



Mais uma vez, como em toda minha vida, sozinho, numa sala sem muitas coisas, sento no sofá, acendo o cigarro e .......................
Enquanto isso o cigarro queima lentamente no chão, e a fumaça se espalha na atmosfera negra que envolve aquela solidão.


Ass: Diogo Coelho

27 de fevereiro de 2008

Diário II - Encruzilhada -




Chego ao meio de uma estrada deserta, desamparado, precisando de ajuda, olhando para os dois lados, procuro enxergar o que esta no final de cada um, e como se não bastasse vejo outra encruzilhada nesta encruzilhada que me encontro.
É perigoso escolher sem precaução, posso acabar num beco sem saída, como se eu tivesse saída para sair do buraco em que meu beijo “lamentante” não consegue te fazer sentir meus lábios.
Fico atormentado, tão doente com a idéia de tentar olhar adiante e saber o que está me esperando.
Traiçoeiramente.
Com precaução
Em silencio
Escolho um caminho
Será que escolhi o certo?
Será esta minha salvação?
Será essa a rota do meu destino?
Perguntas que ecoam na minha mente!
No fundo sei qual caminho escolhi, só temi o meu final.
Devo decidir agora!

Ass: Diogo Coelho

Parfum


Porte sua elegância que dança com os ombros ligeiramente inclinados, para mim, em particular.
Clara, como meus olhos, que lhe vislumbram em seu perfume, penetrante, inebriante, que me rouba o nexo dos meus casos, já que ele me faz respirar suas palavras que podem ser quaisquer, que impulsionariam minhas pernas cambaleantes, refletidas em seus olhos, sim, deveras, penetrantes.
Alcance seus dedos em mim, acariciando de leve o que eu ouço em você, para que eu possa subir, de novo, ou para que eu possa, até, quem sabe, encarnar o personagem principal dessa peça de giros, voltas, que me fizeram te ter, proferindo (será?) as minhas verdades fúteis e curiosas, à minha musa (você) inspiradora.

Ass: Pedro Gazzinelli

26 de fevereiro de 2008

Vitae


Se me falar às alturas, te calo.
Roubando minhas logísticas simples e complexas não conseguem me convencer.
Não conseguirão me agradar.
Não conseguirão me roubar pois não cederei às chuvas de artifícios baratos para levarem minhas narinas que aspiram idéias mais complexas que sua mesinha de bar irá compreender.
Não me jogue nessa arquibancada de circo sem dono como um macaco indomável que roubaria amendoins que eu certamente desprezo, pois não sou corrompido por elogios provincianos.
Um passo para o topo é aquela pegada que pego, que piso, que me pisam sem dó para que eu não consiga.
Um piso falso, a minha vida por um passo, que tentam pular com rasteiras e sorrisos estampados no rosto
Que rosto é esse?
Não me enganariam dessa forma.
Eu certamente fugiria desse circo.
E sem os amendoins.

Ass: Pedro Gazzinelli

25 de fevereiro de 2008

Diário I - Confissões -



Não aguento mais essa pressão na minha cabeça. Quanto mais tento desviar essa idéia ridícula de não querer viver mais, mais me sinto como um covarde. Fico sentado com meu cigarro, escutando Call me a dog e me sentindo como um cachorro. Fico pensando como os grandes se sentiam com essa idéia ridícula de não querer viver mais. Kurt Cobain o que será que pensou antes de dar um tiro na cabeça? Um pensador, um ideologista de uma geração. Não é o meu! Mas só o citei como um exemplo, o que será que o fez deixar essa idéia ridícula de não querer viver mais dominar sua razão? Pronto, morreu!!!!
Hoje o dia amanhaceu mais real para mim, tive a sensação de ter descoberto o meu real destino, a solidão.... O céu nublado, o tempo frio, o meu coração gelado, tudo triste, tudo real, nada abstrato, solidão, cabeça vazia, idéia ridícula de não querer viver mais.
Será?

Ass: Diogo Coelho

22 de fevereiro de 2008

Gargante


Minhas costas doem de pesar
Meus cães latem nos meus tímpanos, fazendo-os transbordar de desespero
Me ajudem
Preguem-me em um rio de luz
Que me ilumine
Que me sangraria
Meu nome é Tiro
Não acerto
Meu nome é Grito
Não me ouvem
Me larga e tire sua falsidade de cima dos meus ombros
Tire da minha língua esse seu gosto
Meu nome é Sangue
Meu nome é Dor
Não tenho nome e me adapto ao que convir
Não gritem meu nome pois agora quero esquece-lo
Minhas mãos doem de socá-lo.

Ass: Pedro Gazzinelli