20 de novembro de 2007

Desabafo


Tudo parece conspirar contra meus sonhos, a vontade de desistir é inevitável.
Tenho desabafos do fundo da minha alma querendo sair,
Esta nas minhas mãos é a única esperança que vejo nesse momento.
Não sei se é desespero ou raiva, mas sinto vontade de socar ponta de faca para passar.
É inevitável esse sentimento depois de mais uma manhã fria
Nação sozinha, pessoas sozinhas, eu sozinho fazendo companhia para meu reflexo no espelho.
Faço mantras para me acalmar, orações incessantes a fim de acender a luz no fim do túnel
E mais uma vez tento levantar do tombo que sofri
Deixo o vento soprar, vento ventania guiando meu barco a deriva,
Tento achar a direção correta usando o céu como minha bússola
Um náufrago perdido na imensidão de seus sentimentos.
O que eu vou ser?
O que posso dizer se já não tenho palavras?
Toda a força que gastei para me acalmar me deixou exausto
Contrario as leis físicas, fico sem reação para a ação
Construo outro templo para um estranho
Dei meu coração para quem não merecia e acabei magoando quem se importava de verdade
Foi necessário me entregar para o sacrifício
Foi importante ter para onde olhar e desabafar
A parede mais uma vez é meu refugio nos dias de tempestade.
E mais uma vez agradeço ao carcereiro da minha prisão por ter me alimentado com inspirações de um poeta triste.

Ass: Diogo Coelho Pettersen

16 de novembro de 2007

Recomeço


Eu me sinto tão derrotado, eu me sinto um inútil, por dentro querendo pedir ajuda, por fora tentando parecer forte.
A ilusão é a coragem que o meu exterior precisa para transparecer felicidade, mesmo sabendo que será uma felicidade momentânea continuo usando dos meios mais artificiais para sorrir.
Aprisiono meu caráter e jogo a chave fora, o que está por dentro fica suprimido como em um casulo, tento criar coragem para pedir ajuda, sempre com medo de ser taxado careta, sempre com medo de ser amaldiçoado com suas palavras, então eu sinto que meus sonhos estão tão distantes.
Não posso fazer mais nada, como posso sonhar se sempre ando entorpecido com peças de um quebra cabeça que eu mesmo desmontei e agora não consigo voltar para o lugar.
Então vejo que a única solução é gritar por ajuda, gritar com a alma na esperança de alguém escutar.
Queria eu ser uma vitrola tocando pela madrugada na maior altura para todos escutarem que eu quero voltar, que eu quero libertar meu eu de verdade.
Sinto um vazio estranho, nada mais me preenche, nada mais me alegra, nada mais me cativa, apesar de ter quebrado o muro que construi aquela felicidade artificial me faz falta, e para conseguir me curar desse vazio tenho que conseguir viver sem ela.
Peço ajuda aos meus amigos, peço ajuda a mim mesmo e principalmente peço desculpa a minha vida e agora fica a esperança de que eu vou voltar a ser o que eu não deveria ter deixado de ter sido...


Ass: Diogo Coelho

13 de novembro de 2007

Fiel à Felicidade


Voltei à fase sem clarezas.
O que me parecia claro, no momento eu procuro embaçar para partir do zero.
Livrar-me de sentimentos bonitos e esperançosos para atividades puramente prazerosas sempre foi satisfatório em curto prazo.
Isso já me motivou a experimentar emoções realmente emocionais para me livrar, anteriormente, de prazeres fugazes.
Não tenho mais apego à ilusões insanas, pois meu pé se finca no chão ao menor passo.
Eu sou, de fato, um pesquisador da minha própria felicidade egoísta, e declaro isso como um alto elogio.
Não que a minha fase obscura seja inconseqüente e fria, mas ela já me fez favores de me livrar de pesos que carregava por puro apego emocional barato e sem boas conseqüências.
Acho, também, que esgotei minhas inspirações terceiras, e estou me aprimorando na arte de me auto inspirar.
Entristece-me, apenas, o efeito "diário" de minhas ilustrações.
Não que isso seja de todo ruim.
Apesar de diversas e divergentes inspirações, consegui, com o êxito procurado, escrever sobre as pessoas que me inspiraram e consegui transparecer da forma que tento aprimorar, meus sentimentos e minhas diversas divagações que impulsionam minha maior válvula de escape prazerosa.
Às vezes, como bem disse em minha autodefinição, tentei escrever sobre mim disfarçadamente, mas aprendi que a minha máscara por detrás dos meus expostos pensamentos nunca me disfarçou, e no fundo, o meu objetivo era esse mesmo, externizar minhas inspirações e me declarar, mesmo que fugazmente, à todas as razões que me fizeram refletir e, a minha maneira, me declarar completamente para aqueles que se identificam como as minhas reflexões.
Na verdade, todas as minhas declarações escancaradas às minhas musas inspiradoras me trouxeram uma inspiração que eu sempre tentei negar por entender que ela não devia ser externizada.
Tentei disfarçar, na verdade, e sempre, que eu sempre me inspirei em mim e nunca fui um bom entendedor da alma alheia, mas que identificação é gerada por um fato banal.
Todos nós procuramos e almejamos os mesmos objetivos, mesmo que de maneiras distintas.
A minha ideologia de vida, que eu sempre disse não ter, foi aprimorada mais do que nunca, e externizá-la, às vezes de forma forte e sem pesares, é, no fundo, o que eu mais proclamo a todos.
O que você escreveu?
Escrevi: Fiel à Felicidade.

Ass: Pedro Gazzinelli de Barros

12 de novembro de 2007

Retrato de uma desculpa


Muito bem, mais uma vez sozinho com meu cigarro, gritando por dentro, pedindo para que saia, pedindo para que respire mais uma vez e que depois morra para que seja eternizado, é assim que escrevo, dou vida aos meus sentimentos só para poder mata-los mais tarde em forma de poesia que viraram imortais páginas.
Vejo uma guerra de trincheiras, daquelas que nos escondemos em buracos e atiramos, esperando que o tiro acerte em alguém para poder vencer a batalha.
Aperto o gatilho da vida esperando atingir o papel, porém, tudo que consigo ver são as páginas em branco que nem ao menos pude rasurar.
Meus pensamentos gritam por liberdade,
Embriagado na inércia só vejo linhas escritas nos meus sonhos.
Me falam de alma,
Me falam de futuro,
Me falam de coisas que eu não consigo entender por não conseguir dar vida aos mais sinceros e límpidos poemas.
Espero a cada segundo a cada instante, escuto minhas musicas mais nada a ver esperando escrever algo nada a ver para que você possa ver que tem tudo a ver com o que você está sentindo.
Escrevo meus desabafos vivos que vão morrer depois de escritos para que você possa se sentir útil de novo.
O que fazer nessa prisão de idéias?
Como conseguir escapar dos demônios que estão a minha volta?
O que fazer nessa batalha contra mim mesmo?
Quero escrever,
preciso escrever para assim me sentir vivo novamente.
Enquanto isso só vejo uma solução.
Acenderei outro cigarro.
Me viciarei em nicotina e irei esperar pensamentos vivos para que eu os possa martirizar em versos tristes que irão alegrar seus dias.


Ass: Diogo Coelho

RELÍQUIAS: CAPÍTULO 2- O Espelho da Alma


Eu nunca acreditei em Amor a primeira vista.
Também não gostava de pessoas que conhecem pares perfeitos.
Para mim, basta um olhar sedutor para uma conquista completa.
Eu nunca seria seu par perfeito.
Mas acredito piamente que seria seu par perfeito instantâneo.
Os seus lábios se afastando em cada tragada que você dá, em seu hábito repugnante que eu compartilho, são semelhantes à jogos sexuais completos em minha mente.
O simples suspiro resultante de um forte gole em uma bebida exótica, que eu assemelharia a algo completamente destinado a um fim higiênico do lar, me sugere uma vontade extravagante de saciar minha sede com sua saliva acentuada.
Os seus atos complexos me completam em uma só noite, me motivando a repensar meus conceitos.
Eu não quero amar você.
Pois você assustadoramente me remete a um espelho.


Ass: Pedro Gazzinelli (12/11/2007)

RELÍQUIAS: CAPÍTULO 1- O Esconderijo da Alma


Porque você acha que eu serei diferente?
Ás vezes você pode acreditar que eu só escreveria isso pra você enquanto eu mesclo inspirações inspiradas em sua simples presença.
Portanto, me esqueça para que eu não necessite mentir para você.
Eu posso amá-la por um dia triste em minha vida e me afogar em meu caderno e nós inúmeros personagens que eu criei para deixar a minha vida grandiosa como alguém gostaria que sua existência fosse.
No entanto eu me espelho nos meus personagens para tentar ser um deles e torná-la a minha musa particular e inspiradora, como eles têm as suas.
As vezes, então, você pode esperar um final feliz em minhas resenhas tristes, mas cheguei a conclusão de que os textos mais tristes são os mais reflexivos e bonitos.
Portanto, esqueça a idéia de me entreter, pois eu vou acabar te esquecendo como uma lembrança triste, pois as lembranças tristes são eternas.
Eu não sei quem você é.
Mas eu sonho com você todas as noites.

Ass: Pedro Gazzinelli (11/11/2007)

5 de novembro de 2007

Coluna 4: Juiz de Fora


Minas têm 853 municípios.
No entanto um deles, em especial, foi me questionado por um amigo.
Juiz de Fora.
Ele me explicou sua teoria e aquilo me interessou.
Quando visito, ou simplesmente conheço alguém de Juiz de Fora (salvo raras exceções) a impressão que tenho é que aquele cara é um carioca refugiado.
A cidade está longe de ser bonita, esta longe de ser uma cidade litorânea, está, em suma, longe do Rio.
Acontece que eles não pensam assim. O "x" está presente, a bermuda está presente, o chinelo está presente, a cultura carioca está presente.
Juiz de Fora é rejeitada pelo Rio por ser mineira e rejeitada por Minas por querer ser carioca.
O paralelo mais interessante é o número de homossexuais na cidade, que pode ser facilmente explicado por esse posição geográfica ingrata e essa falta de identidade estatal.
Sem resquícios de preconceito por minha parte e apenas constatando fatos, o que acontece é que o homossexual, via de regra, é uma pessoa excluída da sociedade. Excluído por vários lados opostos da sociedade.
Juiz de Fora é excluída.
Juiz de Fora é o paraíso homossexual.
Faz sentido, todos nós adoramos pessoas que compartilham nossos problemas.
Se somos excluídos mesmo, vamos embarcar na onda e sermos excluídos com veemência.
Enfiar o pé na jaca com força.
A situação inversa também é viável.
Carioca é preconceituoso, não gosta de gay, não gosta de Juiz de Fora.
Mineiro é ultra tradicional, não gosta de gay, não gosta de Juiz de Fora.
Juiz de Fora é, em suma, um lugar a ser pesquisado.
A baixa estima deve reinar por lá.
Não me surpreenderia, daqui a alguns anos, se Juiz de Fora virasse nossa Noruega, Dinamarca, com alto índice de suicídio.
Precisamos salvar a população de Juiz de Fora.
Antes que seja tarde demais.


Ass: Regies Celso Selsi Lincolly e Diogo Coelho