18 de julho de 2007

Escada



Retorno da festa.
No entanto você nem me olhou.
Fingiu não notar minha perna suavemente encostada na sua quando me sentava ao seu lado, tentando criar um clima inexistente de romance.
Flertou daquela maneira irresistível com outros na minha frente, mas nem se dirigiu o olhar a minha reles posição de ébrio.
Evitou me dar respostas simples para perguntas simples que envolvem assuntos complexos.
Definitivamente, com toda minha pretensão de inteligência arcaica, que enxerga e estereotipa a inteligência como o avesso da esportividade, você não me deixa brecha para que eu lhe demonstre toda a baboseira inútil que eu sei.
Os seus pensamentos simples me desconcertam com uma sutileza capaz de fazer com que no mais alto do meu salto alto de arrogância eu me despenque e fique minúsculo diante de uma simplicidade tão espetacular e bucólica.
Me dê apenas uma sobra, faça o ator escada apenas uma vez, para que eu lhe fale algo, ao invés de me derrubar sempre com essa simplicidade que esmaga a minha inteligência inútil.

Ass: Pedro Gazzinelli

15 de junho de 2007

A Nova Onda


Cheguei a uma conclusão.
Tenho pouco saco pra conceito prévio de pessoas intelectuais.
Sim, digo conceito prévio porque hoje em dia preconceito virou sinônimo de aversão, o que é errado. Posso ter um preconceito de alguma coisa e gostar dela.
Mas enfim, os conceitos prévios que me refiro são basicamente musicais e cinematográficos.
É impressionante! Quanto mais conhecida a banda, ou o diretor de cinema, pior.
Bom mesmo é aquele diretor excelente do Irã, e aquele disco underground que o Sonic Youth gravou antes de assinar com a gravadora.
Porra! Fico revoltado com essas coisas, porque não concordo em ser um alienado musicalmente nem cinematograficamente falando, mas a contraponto não quero ser um desbravador de filmezinhos cult pra dizer que entendo de música e/ou cinema. Eu quero poder falar que me divirto vendo American Pie sem ser taxado como um plalyboyzinho que não sabe os enredos da cultuada sétima arte.
Eu quero falar que eu curto ouvir “Mais uma vez” do Jota Quest e não ser visto como um verdadeiro idiota que não viu a apresentação da PJ Harvey e da Herbie Hancock no Tim Festival.
Eu quero falar que eu gosto do Metallica com o Jason no baixo e não ser taxado como um idiota “new metal” que não viu o verdadeiro baixista, o Cliff, detonando nos primórdios.
A sistemática é simples, quanto mais entendedor de um assunto você for, mais coisas malucas e desconhecidas você vai gostar e cultuar. Não dá pra entender de música se você gosta de Foo Fighters, por exemplo. SE você realmente gosta de música a única coisa famosa que você pode gostar é no máximo um dos últimos cd´s dos Beatles. Porque era algo transcendente da realidade, com um instrumental apuradíssimo.
Se você gostar de Tarantino, você é um puro idiota Pop, que não conhece os verdadeiros ótimos filmes B que o Tarantino se inspirou para rodar os filmes dele. O Tarantino é um plagiador idiota. Bom mesmo é Meiko Kaji. Que???? Você não conhece? Ta por fora baby!!!
A onda é tipo Indie, quanto mais “alternatyze” melhor!
O estranho é que às vezes os intelectos avançados se apropriam de grandes nomes pra construir toda uma teoria em cima da obra daquele grande “gênio”. Um exemplo é como funciona um senso comum entre os intelectuais: a idolatração de Nelson Rodrigues. Gênio! Excelente! Se eu expressar a minha opinião de que ele não passa de um tarado ninfomaníaco virei um bosta da geração Pêra com Ovamaltine.
Mas com dizia o próprio Nelsão: A unanimadade é burra.
O dia que for unânime, o próprio Nelson virará uma anta banalizada pelos pseudo-inteligentes de óculos aro grosso.

Ass: Regies Celso.
Detestando cada vez mais o calor dos trópicos.

13 de junho de 2007

Eu Te amo


Eu te amo.
Muito, mas muito pra ser dito em 3 palavras.
Sinceramente, acho que deveria ter que ser obrigado a tirar brevê pra poder dizer isso a alguém que se relaciona amorosamente.
Um casal.
"Eu te amo" é uma simplificação de "compreensão, perdão, devoção, atenção, carinho, sinceridade, dedicação, afeto, tesão, confidência, sacrifício, felicidade, felicidade e felicidade" "Eu te amo" é uma das poucas declarações que não necessita de adjetivo. Se se ama, se ama muito. Ninguém ama pouco. Ou ama, ou não ama. O fato de não necessitar de adjetivos, torna o "Eu te amo" uma declaração única, e não descartável. Quando se fala "Eu te amo" para alguém, os adjetivos implícitos vêm naturalmente: "Conte comigo" "Estou do se lado" Confio em você" "Quero só você". Por isso o "Eu te amo" não deve ser ser usado por alguém que gosta de alguém. Não deve ser banalizado por paixões pequenas e passageiras. "Eu te amo" simplifica todos bons sentimentos em três palavras fortes, e as palavras, as vezes machucam, porque não tem volta. Por isso nunca se deve falar "Eu te amo" para quem você não tem certeza que ama. As palavras não voltam, mas os sentimentos sim. Por isso não deve se ver o amor passar e não voltar. Amor não passa, a paixão sim. As vezes, achamos que amamos, e aí, erramos. Quando o amor acaba, é por que não era amor, e sim paixão.
E o "Eu te amo" é pra quem não volta, não volta atrás. Ninguém deixa de amar. Amar é ver alguém feliz.
Por isso se sofre quando alguém que se ama não esta feliz. Independentemente de tudo, e de nada. Amor não impõe condição. Se ama naturalmente. E amor não pede nada em troca.
Se sofre se não tem nada em troca.
Eu te amo de graça.


Pedro Gazzinelli de Barros.
Texto originalmente escrito em Novembro de 2006.

11 de junho de 2007

As minhas falsas recordações




Eu quero a beleza digna dos seus olhares fixadores em minha pobre alma ébria de álcool.
Eu sonho hoje com os diversos aromas que eu conseguia diferenciar na sua boca.
Eu só quero saber acariciar os seus cabelos de forma com que meus dedos não agarrem nos nós que eles dão.
Eu quero saber tocar nas suas costas sem lhe fazer cosquinhas, mas ao mesmo tempo, eu me ludibrio com suas gostosas gargalhadas, achando que está tudo bem.
O meu maior sonho é que você consiga virar o rosto quando você estiver indo embora.
Mas você sempre vai e segue em frente, me restando a opção de fechar a porta e me recolher aos meus pensamentos.
Minha maior alegria seria ver você correr atrás. Não porque eu sou orgulhoso, mas porque assim, minha pobre alma triste sentiria o maior e imenso valor que ela poderia sonhar.
Eu lembro que eu chorava ouvindo uma música quando você viajou.
Eu quero poder abraçar você e sentir o verdadeiro abraço, que eu nunca consegui sentir depois.
Eu quero a sua beleza bem simples, mas que me cativa a cada olhar.
Eu quero poder entender a próxima pessoa como eu entendia você, mas eu simplesmente não consigo alcançar a sua sintonia em alguém.
Eu quero conseguir escrever coisas bonitas pra você, mas acabo escrevendo lamentações que você nem irá ler.
Então eu fico apenas com esse meu sorriso bobo quando eu lembro de você.

Ass: Pedro Gazzinelli

18 de maio de 2007

Desabafo de uma cadeira amassada.

Não me conte dos beijos que você deu em outro porque isso não me interessa.
Finja que você me ama mais do que tudo, e loucamente apenas por um dia para que minha ilusão se complete com uma alegria infinita.
Chore falsamente na minha frente para que eu me sinta imensamente amado por você.
Me mostre fotos onde você não está sorrindo, porque assim eu tenho a falsa ilusão de que você está triste.
Odeio ver você sorrindo sem mim.
Exponha para todos que você é minha sem culpa e sem pesares, se entregando completamente e falsamente.
Corra para os meus braços quando me vir para que eu tenha a impressão de que você me adora.
Minta para mim, até que eu tenha a completa certeza que é verdade.
Deixe eu me iludir com seu falso amor, porque só assim eu sou feliz.
Me deixe te amar loucamente e tente me enganar loucamente.
Me faça uma surpresa, me dê um presente, me dê você, faça qualquer coisa que demonstre que você se importa.
Apareça de repente na minha casa, quebre minha rotina, me faça sair desse tédio, faça sexo comigo em local público para que eu sinta alguma adrenalina e não esse peso morto que carrego em minha alma.
Me reanime.
Me ame, seja você quem for.

Ass: Pedro Gazzinelli

Angústia


Eu canto sozinho fingindo ser um rock star pra disfarçar minha alma triste de poeta frustrado.
Eu saio andando sozinho esperando encontrar pessoas interessantes que não me cansem.
Eu encontro todas essas pessoas para que elas me alegrem em uma felicidade instantânea que eu tento prolongar.
Quem sabe com sexo, álcool, risadas ou algo que me entretenha e me faça esquecer do meu dia maçante.
Mas ao final de todos os dias eu só não consigo me lembrar de algo que realmente tenha me entretido ao ponto de embalar meus sonhos.

ass: Pedro Gazzinelli

10 de maio de 2007

Necessidade


Eu não preciso de você, nem de seus leves olhares provocantes.
Não que eles não me façam falta. Mas consigo achá-los, facilmente, em outros olhos.
Eu também não preciso do seu toque forte nas minhas costas porque seus atos sexuais são substituíveis e comuns.
Assim como todos.
Eu não preciso de você, nem de ninguém em especial, pois todos têm o que todos têm.
Qualquer uma me serve para acalentar esse frio que me entristece a alma quando acordo.
Eu não preciso dos seus lindos olhos e cabelos macios para meu enorme prazer visual voyeurístico, pois qualquer aparência me satisfaz.
Eu não preciso de você em nenhuma circunstância, pois você só me acrescenta as risadas simples e só profere frases que qualquer uma proferiria.
Eu gosto muito de você, mas gosto muito de outra igualzinha a você que eu vi ontem, na porta de algum lugar.
Eu não vou me submeter aos seus jogos sentimentais pois eu me afogo em baboseira sentimental, sendo que qualquer uma sabe jogar igual você.
Eu não quero saber se você me traiu com fulano ou cicrano porque qualquer uma me trairia dessa forma.
Eu não choro por você, mesmo admitindo a imensa saudade que tenho.
Pois qualquer uma me faz a falta que você faz.

Ass:Pedro Gazzinelli de Barros